Formação continuada em fotografia: iniciando a segunda etapa.

No último mês de março, eu e a Casa das Artes Visuais realizamos o primeiro curso dos módulos de formação básica em fotografia, o Fotografia: Arte e Técnica I. Foram 36 horas – 12 encontros – de aulas agradáveis recheadas de teoria, de muita prática e de reflexão sobre a fotografia como forma de expressão, num ambiente destinado às artes visuais.

Agora é hora de iniciarmos o segundo módulo do cíclo de formação básica: Fotografia: Arte e Técnica II. Aqui, em 45 horas de curso – 15 encontros – serão abordados o tratamento de fotografias no Adobe Photoshop, o aperfeiçoamento da fotometria e o ensaio fotográfico. Nosso objetivo é ajudar o fotógrafo a buscar o controle absoluto sobre sua produção fotográfica, desde a captura da imagem, passando pelo tratamento das fotografias – outrora feito nos laboratórios foto-químicos -, até a edição e finalização de um ensaio fotográfico pessoal. Com isso acreditamos estar formando fotógrafos mais completos.

O próximo passo será o estúdio, nosso terceiro módulo, que deverá acontecer no segundo semestre deste ano. Enquanto isso, estaremos oferecendo uma programação variada de cursos, como os que irão acontecer nos meses de abril e maio:

História da fotografia, com a fotógrafa Manú Dsouza (12 horas)

Fotografia: arte e técnica II, com o fotógrafo Paulo Rossi (45 horas)

Lightroom, com o fotógrafo Paulo Rossi (18 horas)

Oficina de flash dedicado, com o fotógrafo Danniel Victor (15 horas)

Fotografia com câmeras compactas, com o fotógrafo Luca Fiorini (10 horas)

 

Cursos de fotografia: programa de formação continuada

Preocupado em oferecer uma formação em fotografia mais efetiva, a partir do mês de março eu e a  CAV - Casa das Artes Visuais estaremos iniciando em João Pessoa um programa de cursos de fotografia que possibilita a formação continuada de novos fotógrafos, e o aperfeiçoamento de fotógrafos já atuantes

Os cursos estão organizados em um ciclo de formação básica estruturado em três módulos (Fotografia: arte e técnica I, II e III), cursos de especialização e aperfeiçoamento técnico, e cursos de apreciação da arte fotográfica que serão paulatinamente inseridos na programação da CAV ao longo do ano.

A programação para os meses de março e abril apresenta os dois primeiros módulos do ciclo básico, Fotografia: arte e técnica I e Fotografia: arte e técnica II, um curso de tratamento de fotografias por meio do Lightroom, e o workshop Fotografia e luz criativa para ensaios de noivos com o fotógrafo de casamentos Adriano Gonçalves.

Informações:

Casa das Artes Visuais: (83) 3031-0885 / (83) 8800-5270 / cav@casadasartesvisuais.com.br
Paulo Rossi: (83) 3247-2106 / (83) 8808-5935 / pjrossi@uol.com.br
Inscrições:
Casa das Artes Visuais: (83) 3031-0885 / (83) 8800-5270 / cav@casadasartesvisuais.com.br
 

A fotografia na Paraíba: dispersa mas atuante.

Há três anos vivo na deliciosa cidade de João Pessoa. Desde que cheguei por aqui venho me dedicando à fotografia autoral e, também, ao ensino da fotografia. Iniciei no Zarinha Centro de Cultura onde ainda dou aula, passei a oferecer cursos em minha casa, e agora inicio uma nova experiência em parceria com a CAV – Casa das Artes Visuais lançando um programa de formação continuada em fotografia, algo novo por aqui.

Ofertas de cursos de fotografia em João Pessoa não são novidades, a novidade é que estas ofertas têm sido mais frenquentes e mais diversificadas, há um número maior de fotógrafos oferecendo cursos de fotografia. Isso indica que a demanda por cursos dessa natureza, ainda que lentamente, está aumentando. Ou seja, parece estar crescendo o número de pessoas interessadas em estudar a fotografia na teoria e na prática, ou ainda, pessoas interessadas na apreciação da arte fotográfica. Bom sinal, mas ainda insuficiente! É preciso um trabalho que transcenda o ensino da fotografia, é preciso que fotógrafos, instituições públicas e privadas ligadas à ação cultural atuem juntos na criação de público para a fotografia na Paraíba.

Mesmo que de modo disperso, em 2011 alguns passos foram dados, João Pessoa foi sede de algumas experiências importantes no campo da fotografia: o Setembro Fotográfico organizado pela FUNJOPE sob coordenação do fotógrafo Gustavo Moura; os encontros do Papo de Fotógrafo realizados pela parceria Agência Ensaio, de Ricardo Peixoto, e Associação Paraibana de Arte e Cultura – APAC; a própria fundação da APAC por iniciativa de um grupo de fotógrafos, atualmente presidida por mim; a realização da 16ª edição do projeto Lambe-Lambe de Fotografia de responsabilidade de Ricardo Peixoto; a criação de uma cadeira para a fotografia no Conselho Municipal de Cutura ocupada pelo fotógrafo Darcy Lima; o lançamento do livro de Gustavo Moura e Hudson Azevedo, Cidade em movimento; uma série de exposições de artistas de peso como o renomado repórter fotográfico Evandro Teixeira, Antônio David, Romero Cavalcanti, Ed Viggiani, Antônio Augusto Fontes, Marcelo Buainain, Pedro David, João Lobo, além das diversas exposições promovidas pelo Projeto Lambe-lambe, dentre as quais destaco Mulheres Fotógrafas. Esses são só alguns exemplos do que aconteceu no ano passado, poderia listar também ações mais remotas como o Parayba Digital organizado por João Lobo, mas isso vai ficar para um momento posterior.

É ou não é um retrato positivo do que vem acontecendo no sentido de dar visibilidade à fotografia, especialmente à produzida na Paraíba? Claro que sim! Porém, é preciso juntar esforços e continuar atuando. Criar novos cursos, fomentar a formação continuada de novos fotógrafos, promover ações coletivas, valorizar os fotógrafos locais e suas fotografias, criar canais de diálogo, buscar interlocutores dentro e fora da Paraíba, divulgar as ações antes, durante e depois de suas realizações etc. Divulgação, eis um problema sério a ser resolvido rapidamente por aqui, mas é assunto para ser tratado num outro post. Por enquanto é isso.

Saudações à todos!

PAPO DE FOTÓGRAFO – 6ª EDIÇÃO

PAPO DE FOTÓGRAFO – 6ª edição

É chegada a hora da 6ª edição do PAPO de FOTÓGRAFO, atividade realizada pela AGÊNCIA ENSAIO e pela ASSOCIAÇÃO PARAIBANA de ARTE e CULTURA – APAC.
Sempre na última quinta-feira de cada mês, Papo de Fotógrafo já contou com a participação dos artistas Antônio David, Paulo Rossi, Darcy Lima, Germana Bronzeado e Mazinho. Agora será a vez do fotógrafo pernambucano Mateus Sá falar sobre seu trabalho e sua carreira que exerce desde 1997.

O PAPO de Fotógrafo acontece na próxima quinta-feira, 25 de agosto, às 19h06min, na sede da Agência ENSAIO: RUA ALBERTO de BRITO, 895 no bairro de JAGUARIBE e integra a programação do PROJETO LAMBE-LAMBE de FOTOGRAFIA.

Aos interessados em apresentar algum trabalho, teremos um tempo dedicado para projeção de fotografias e vídeos de curta duração. PARTICIPE!


 sobre o convidado:
MATEUS SÁ participou da fundação do Coletivo Canal 03 e do Projeto Fotolibras – Fotografia Participativa no qual é coordenador e atua como educador junto a jovens com deficiência auditiva. É também coordenador da Semana de Fotografia do Recife, e professor na Faculdades Integradas Barros Melo/AESO. Em 2005 publicou o livro Luz do Litoral, e no ano seguinte foi co-autor do livro A Cambinda do Cumbe. Participou de exposições no Brasil e no exterior como Gente e Lixo, na Alemanha, Bresil Bresilis Pernambuco – Cultura Popular Arte Contemporânea e Ilê Nago, ambos em 2005 na França, além de ter sido finalista do Premio Porto Seguro de Fotografia – 2009 com o trabalho Eu por Ele e Ele Por Mim.

                       Mateus Sá: @utoretrato

O Santa voltou!

Thiago Tiburcio Cavalcante, torcedor do Santa Cruz de Recife.

Para meu espanto, no último sábado, 16 de julho, me deparei na orla de João Pessoa com uma enorme quantidade de torcedores do Santa Cruz Futebol Clube, glorioso time de Recife que depois de amargar tenebrosa e longa crise, sagrou-se campeão pernambucano de 2011. Ora, mas o que faziam esses torcedores em terras paraibanas? Vieram assistir a partida entre o Santa e o Alecrin do RN pela série D do Campeonato Brasileiro de Futebol. Vi uma festa bonita que me tocou, pois sou um amante do futebol. Tive a oportunidade de fotografar um simpatico grupo de torcedores, dentre os quais esta Thiago do qual fiz este bonito retrato. Viva o Santa Cruz!

Germana Bronzeado no Papo de Fotógrafo

Fotos: Darcy Lima. Quarta edição de Papo de Fotógrafo.

 

 

A fotógrafa paraibana Germana Bronzeado foi a convidada da quarta edição de Papo de Fotógrafo, uma realização da Agência Ensaio APAC – Associação Paraibana de Arte e Cultura. Germana falou para aproximadamente 23 pessoas sobre sua carreira de mais de 30 anos, e apresentou parte de seu vasto trabalho de documentação do patrimônio histórico de João Pessoa.

Germana começou na profissão como fotojornalista tendo sido na época uma das primeiras mulheres na Paraíba a trabalhar como fotógrafa na imprensa escrita. Atualmente é assessora de imprensa do Tribunal de Justiça, e é fotógrafa da Oficina Escola onde desenvolve um trabalho de grande relevância de documentação fotográfica das atividades de restauração do patrimônio histórico e, sobretudo, de recuperação do patrimônio humano, uma vez que a Oficina Escola capacita jovens em situação de risco para executar trabalhos de restauração altamente especializados. Abordarei a Oficina Escola num outro post, mas desde já sugiro conhecerem o  por meio de seu site.

O grande ganho do Papo de Fotógrafo é a reflexão a respeito da produção fotográfica paraibana que o espaço vem proporcionando. No encontro com Germana foram abordados pontos como a transição forçada do filme para o digital e da quase impossibilidade de se fazer laboratório preto-e-branco na Paraíba – diga-se de passagem, essa realidade vale quase que todo o país – devido ao alto custo e à escassez de suprimentos. Também foram discutidos assuntos como as dificuldades de organização de arquivo das fotografias digitais, da dificuldade de digitalização de um grande acervo de negativos e cromos, e da manutenção destes numa cidade onde a maresia é cruel.

O ponto alto do encontro foi, a meu ver, a afirmação de Germana sobre seus objetivos com a fotografia e de suas opções estéticas. A objetividade e o aspecto descritivo da forma de suas imagens da arquitetura da cidade caracterizam quase que o todo de sua obra de documentação. Quando lhe foi sugerido no decorrer do bate-papo de fotografar postes e fios que enfeiam o paisagismo de João Pessoa, e daí fazer uma fazer uma obra artística indagando a poluição visual, a fotógrafa respondeu que seu objetivo era fotografar a arquitetura e o paisagismo tal qual eles se apresentam, e não outra coisa.

A descrição também pode ser percebida na forma das fotografias que ela faz das atividades dos trabalhadores nas obras de restauração, com a diferença que o tema é dimensão humana no restauro do patrimônio histórico, ou como me disse Germana numa conversa a parte, são fotografias sobre a restauração do ser humano. Duas dessas fotografias, se colocadas lado-a-lado, revelam a semelhança de vários aspectos do caráter formal: pontos-de-vista semelhantes, uso de grande angular, valorização da iluminação local etc. O título de ambas é a descrição daquilo que é o objeto fotografado: Púlpito e Remoção de pintura sobre a cantaria do altar colateral esquerdo. A semelhança mais impressionante, no entanto, é que os trabalhadores estão representados da mesma forma que o púlpito, como uma escultura que pertence ao imóvel: as poses parecem ter sido posadas, os movimentos parecem simulados, são estáticos, ninguém olha para a câmera. No entanto há vida nesta fotografia, a compenetração no trabalho minucioso dos operários coincide com a concentração e interação da fotógrafa com o assunto. È nesses aspectos que reside a força do trabalho de Germana Bronzeado.

Germana Bronzeado: Púlpito, 2007.

 

 

Germana Bronzeado: Remoção de pintura sobre a cantaria do altar colateral esquerdo, 2007.